Carnaval da Praia: Entre constrangimentos e folia

PorDulcina Mendes,11 fev 2024 7:42

Os grupos oficiais estão a se preparar para que no dia 13, na festa do Rei Momo, esteja tudo pronto para o desfile na Avenida Cidade de Lisboa.

Apesar dos constrangimentos, os grupos prometem levar para a Avenida muito brilho, cor, folia e samba no pé. Este ano, a Cidade da Praia vai receber desfiles de cinco grupos oficiais: “Vindos do Mar”; “Deusa do Amor Sem Fronteiras”; “Bloco Afro Abel Djassi”; “Vindos d’África”; e “Samba Jó”, que foi campeão do Carnaval da Praia no ano passado.


Grupos oficiais

Samba Jó

O grupo vai desfilar com “Santiago Ilha Mãe, Porton de nós Ilha, Abraça Bu Comunidade sem Máscara”. Dentro deste tema vão pedir mais amor e paz na ilha.

O presidente do grupo Samba Jó, João Elias Teixeira, disse ao Expresso das Ilhas que pretendem homenagear o artista Zeca di Nha Reinalda, os pescadores e as mulheres batalhadoras.

O grupo pretende levar para a Avenida cerca de 350 figurantes, distribuídos em sete alas e uma comissão de frente.

Com 12 anos de existência, o grupo promete desfilar na Avenida “com a força de um vencedor, pois queremos voltar a ser campiões”.

Em relação aos preparativos, João Elias Teixeira frisou que estão em correria contra o tempo para finalizarem alguns trabalhos e noutros estão a começar de novo, por causa da falta de materiais.

“A Câmara Municipal demorou em anunciar que temos Carnaval e também demorou em nos disponibilizar os subsídios, e quando chegaram os apoios não encontrámos praticamente nada nas lojas, porque os grupos de outras ilhas vieram comprar os materiais”, lamenta.

Este ano, conforme explicou, o Carnaval acontece mais cedo, mas ficaram à espera do feedback da Câmara Municipal da Praia. “Ficamos muito tempo à espera até que nos deram luz verde que havia Carnaval”.

“Com a demora na entrega dos subsídios de Carnaval não encontramos nada no mercado, tivemos que quebrar o projecto para vermos se conseguimos fazer um bom Carnaval”, relata.

O presidente do Samba Jó disse que este ano tinham ideia de fazer algo bem grande, mas por falta de materiais na Cidade da Praia, o enredo que estão a trabalhar não está a sair como gostariam.

À semelhança dos anos anteriores, o grupo tem-se deparado com falta de espaço para ensaios, pelo que o mesmo acontece na rua. “Como somos um grupo que não tem espaço próprio, estamos a ensaiar na rua”.

João Elias Teixeira informou que estão atrasados no que diz respeito aos figurinos, porque “não sei se vamos conseguir vestir todos os participantes, pelo tempo que nos restam”.

Vindos d’África

O Vindos d’África vai levar para a Avenida o enredo “Korda Kauberdi” como forma de chamar a atenção das pessoas para a questão da identidade.

Segundo o presidente do Vindos d’África, José Gomes (Breu), só se fala da nossa identidade quando uma entidade visita o nosso país, “onde levam um batuco ou um funaná ou uma morna. Isso são coisas superficiais, na prática quem faz, toca e divulga a morna, praticamente é inexistente, do ponto de vista de divulgar para as pessoas verem. A morna é parte da nossa identidade”.

Dentro desse tema disse que vão homenagear um dos fundadores do grupo. O grupo terá na Avenida cerca de 400 figurantes, distribuídos em sete alas. “Cada ala vai falar um pouco da nossa identidade, do nosso percurso como um povo e uma nação. É um grupo que sempre está empenhado em divulgar o nosso continente e o nosso país”.

Este ano, conforme anunciou, há um artista que vai desfilar nos Vindos d`África. “Pelo tema que temos esse artista vai-se enquadrar muito bem lá. Ele aceitou, pois achou o nosso projecto muito interessante”.

O grupo completa este ano 39 anos de existência. Conforme José Gomes, desde a sua fundação, o Vindos d’África não desfilou só uma vez, em 2017, sob protesto. “Enquanto presidente do grupo trabalho sempre em potenciar e elevar o Carnaval da Praia, não foco nunca nos títulos, porque se for para título temos título de sobra”.

“O Carnaval da Praia tem estado a melhorar ano após ano. Nós é que temos o Carnaval da Praia de pé, porque sabemos fazer muito com poucos recursos”.

Por outro lado, disse que Vindos d`África é um grupo de resistência. “O Carnaval da Praia foi muito antes de São Vicente, infelizmente foi dado mais ênfase ao Carnaval de São Vicente. Foram criadas as condições para que São Vicente tenha um Carnaval que tem hoje”.

Em relação aos preparativos, disse que estão num bom ritmo, apesar da falta de materiais nas lojas.

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“O maior constrangimento que vai continuar a persistir sempre no Carnaval da Praia é a insensibilidade que existe nas questões de dar melhor tratamento aos grupos da Praia. A questão dos apoios que chegam muito tarde é dos maiores constrangimentos que temos. Os grupos de Carnaval de Praia são parceiros da organizadora do evento que é a Câmara Municipal da Praia. Então como parceiros acho que devemos ter outro tipo de tratamento”, realça.

José Gomes afirmou que quando recebem muito tarde os montantes isso causa problemas, porque nas lojas onde costumam comprar os materiais não cconseguem encontrar nada, porque “os grupos de Carnaval de São Vicente e de São Nicolau já descobriram isso e quando estão com dinheiro atacam as lojas aqui na Praia. E nós, os grupos da Praia, quando recebemos tardiamente os apoios não conseguimos encontrar nada nas lojas”.

Vindos do Mar

Este ano, o grupo vai desfilar com “Mitologias do Mar”. Dentro desse tema prometem levar sereia, dragão marinho, polvo, peixe e outras riquezas que o mar oferece. O grupo pretende levar para a Avenida cerca de 350 figurantes, que serão distribuídos em oito alas.

Segundo a presidente do grupo, Amélia Monteiro, os preparativos estão a decorrer na normalidade, apesar de algum atraso, “mas estamos a caprichar, para finalizar os trabalhos na hora, porque faltam poucos dias para o Carnaval”.

“Mas temos a garantia que até o dia 10 tudo estará pronto. O nosso principal constrangimento tem a ver com lugares de ensaios, porque estamos a ensaiar num espaço sem segurança, somos constantemente perturbados por pessoas que vêm no sentido de perturbar os ensaios”, aponta.

Em relação ao desfile, disse que haverá interessantes surpresas. “Prometemos levar para a Avenida andores cheios de coisas diferentes”. Desde 2008 que o grupo tem desfilado na avenida como grupo oficial.

Deusa do Amor Sem Fronteiras

Está de volta ao desfile na Avenida e este ano vai levar “Navegando contra a Maré das desigualdades”, onde o grupo pretende desfilar com 300 figurantes, distribuídos em sete alas.

A Presidente do grupo, Maria da Luz Fortes Oliveira, disse que os preparativos estão a decorrer na tranquilidade e serenidade. “A nossa aspiração na Avenida é mostrar brilho e euforia”.

Maria da Luz Fortes Oliveira contou que o primeiro constrangimento que tiveram foi com o estaleiro. “As verbas chegaram muito tarde e quando fomos comprar algum material não encontramos nada no mercado, porque os grupos das outras ilhas compraram tudo”.

“Se sabem que há Carnaval devem disponibilizar as verbas atempadamente. Este ano o Carnaval vai acontecer mais cedo e isso trouxe-nos muitos constrangimentos. O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas já nos garantiu o financiamento igual aos dos outros grupos da Praia, e estamos a aguardar”, relata.  

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Ordem dos desfiles De acordo com a ordem dos desfiles, a Deusa do Amor Sem Fronteiras será o primeiro grupo a chegar à Avenida Cidade de Lisboa, segue-se o Vindos d’Africa. O Vindos do Mar será o terceiro grupo a desfilar e o Bloco Afro Abel Djassi vai desfilar em quarto lugar. Já o Samba Jó será o último grupo a entrar na Avenida.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1158 de 7 de Fevereiro de 2024.

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Autoria:Dulcina Mendes,11 fev 2024 7:42

Editado porSara Almeida  em  28 fev 2024 7:20

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